Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional São Paulo

Salvando implantes mamários infectados

As infecções pós-reconstrução mamária estão entre as principais complicações do procedimento, sendo necessário remover os implantes de silicone para o tratamento adequado da paciente. Contudo, o descarte dos implantes frequentemente é relatado como necessário, com taxas que partem de 27% e podem chegar a 84%. Diante disso, pesquisadores franceses realizaram uma análise retrospectiva sobre resgate de implantes infectados e tiveram as conclusões publicadas no Journal of  Plastic, Reconstructive and Aesthetic Surgery, em dezembro de 2020.

O trabalho engloba pacientes que apresentaram infecção (sinais clínicos de infecção e amostra bacteriológica positiva) de implante mamário após reconstrução entre janeiro de 2005 e janeiro de 2018. Todas as pacientes receberam drenos no intraoperatório da reconstrução mamária, os quais foram retirados na presença de débito inferior a 40 ml de líquido coletado em um período de 24 horas. Matriz dérmica acelular não foi utilizada nesta coorte.

Pacientes com necrose cutânea, deiscência ou fístula foram excluídas. A remoção imediata do implante foi realizada em pacientes com sepse sistêmica evidente (n = 2; excluídas do estudo).

As pacientes foram divididas em dois grupos: terapia clínica inicial (incluindo aquelas com resgate cirúrgico secundário) e cirurgia primária (remoção do implante, amostragem bacteriológica, lavagem da loja, inserção de um dreno e colocação imediata de um novo implante).

Para a terapia clínica inicial, um agente antimicrobiano antiestafilocócico foi introduzido por via oral, com antibioticoterapia direcionada instituída assim que a microbiologia fosse obtida. Em evoluções desfavoráveis, a paciente era submetida à cirurgia para troca do implante infectado. O procedimento de resgate foi definido como bem-sucedido quando o implante não precisava removido até três meses após a reconstrução inicial.

Durante o estudo, a colocação de implantes mamários texturizados contabilizou 5.280 procedimentos, dos quais 91% para reconstrução e 9% para indicações cosméticas (incluindo cirurgia de simetrização após reconstrução contralateral). Oitenta e duas pacientes (1,6%) apresentaram implantes mamários infectados.

O tempo médio desde a colocação do implante até o diagnóstico de infecção foi de nove dias. A remoção imediata do implante foi realizada em pacientes com sepse sistêmica evidente (n = 2; excluídas do estudo). Oitenta pacientes (idade média de 47 anos) com implantes mamários infectados foram incluídas: 77 no grupo clínico e três no grupo cirúrgico primário.

No geral, o resgate do implante foi alcançado em 88,8% das mulheres (n = 71). Destas, 73,8% (n = 59) foram submetidas a tratamento clínico isolado com antibióticos e 15% (n = 12) a tratamento clínico seguido de cirurgia. O estafilococo foi responsável por 81,2% das infecções. A taxa de sucesso foi de 98% (p <0,003) para infecções causadas por estafilococo coagulase-negativo.

Os autores concluem que a intervenção precoce é fundamental para o sucesso terapêutico de implantes infectados.

Leia mais: https://www.jprasurg.com/article/S1748-6815(20)30224-2/fulltext

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