Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional São Paulo

Estudo avalia a confiabilidade de metanálises em cirurgia plástica

Embora representem uma alternativa estatística importante para o melhor aproveitamento de dados científicos, as metanálises carecem de verificações acerca da qualidade e do rigor empregado na manipulação das informações. Cientes disso, pesquisadores canadenses e sauditas elaboraram um estudo publicado em julho de 2019 no periódico Plastic and Reconstructive Surgery, em que é avaliada a qualidade geral das metanálises em cirurgia plástica.

Foi realizada uma revisão sistemática de metanálises publicadas em sete revistas de cirurgia plástica entre 2007 e 2017. Descritores de publicação e detalhes metodológicos foram extraídos. Os artigos foram analisados por dois instrumentos: a Ferramenta de Medição para Avaliar Revisões Sistemáticas (AMSTAR) e AMSTAR 2.

Setenta e quatro estudos foram incluídos. Houve aumento do número de metanálises por ano. A maioria das metanálises avaliou uma única intervenção (59,5%) e agrupou uma média de 20,9 estudos (variando de 2 a 134), incluindo uma média de 2.463 pacientes (variação de 44 a 14.884).

A maioria das metanálises foi publicada no Plastic and Reconstructive Surgery (44,6%) e incluiu estudos primários de evidência de nível médio (II a IV). Apenas 16,2% das metanálises incluíram ensaios clínicos randomizados.

Metanálises geralmente relataram resultados positivos (81,1%) e significativos (77,0%). A mediana do escore AMSTAR foi 7 de 11 (intervalo interquartil, 5 a 8). Os escores mais altos do AMSTAR se correlacionaram com metanálises mais recentes, que forneceram uma justificativa para o agrupamento estatístico e heterogeneidade metodológica adequadamente gerenciada (r = 0,66; p <0,01).

Como conclusão, os autores afirmam que, apesar do aumento no número e na qualidade, as metanálises apresentam alto risco de viés devido ao baixo nível de evidência dos estudos primários incluídos e à heterogeneidade dentro e entre os estudos primários. Os cirurgiões plásticos devem estar cientes das armadilhas de conduzir e interpretar metanálises.

Leia mais aqui:
https://journals.lww.com/plasreconsurg/Fulltext/2019/08000/Meta_Analyses_in_Plastic_Surgery__Can_We_Trust.51.aspx

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