Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional São Paulo

Histórico

O Nascimento da Regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

Lybio Martire Junior

Centro Velho - SPNa década de 60 São Paulo já era uma grande metrópole contando com cerca de 5,5 milhões de habitantes. Nessa época, numa seqüência da década anterior a cidade transformava-se deixando para trás características poéticas e românticas presentes nos anos 30 e 40 como as luxuosas confeitarias, o chá do Mappin, o “footing” do centro da cidade (na Rua Direita e depois na Barão de Itapetininga), os pregões de rua etc. O centro da cidade havia se expandido, e se transferiria mais tarde para a região da avenida Paulista.

A região da Sé e adjacências ficaria conhecida como Centro Velho.

Os consultórios médicos mais elegantes, outrora aí localizados, já haviam migrado para as Ruas Marconi e Sete de Abril e começavam a aparecer na Rua Itapeva (travessa da Paulista) e, nas décadas seguintes, iriam se estabelecer, como hoje permanecem, no quadrilátero dos Jardins.

Havia a necessidade da abertura de novas avenidas ampliando as vias de acesso e locomoção dentro da cidade. A década de 60 viu surgirem a avenida 23 de Maio, a Faria Lima e tantas outras, em continuidade ao plano de modernização da cidade inicialmente concebido pelo prefeito Prestes Maia.

Houve nesse período, é bem verdade, um preço alto a ser pago, cujos juros são hoje cobrados na forma de saudade e até, um pouco, em certo arrependimento: a demolição de imponentes casarões, de prédios históricos e de fabulosas obras arquitetônicas que embelezavam a cidade e que cederam lugar a arranha-céus gigantescos e funcionais, mas, certamente menos artísticos e menos belos do que os que ali estavam.

Consola pensar que foi uma conduta imperativa frente ao estrondoso crescimento da cidade. Uma necessidade pelo progresso do qual, hoje, todos usufruímos e nos beneficiamos, em que pesem alguns percalços como a insegurança, o trânsito, elevação do custo de vida etc…

A cirurgia plástica, no Brasil, também se alastrava a passos largos surgindo novos e destacados especialistas de norte a sul do país.

São Paulo, berço da cirurgia plástica brasileira, com o serviço de Rebello Netto criado em 1930, na Santa Casa de Misericórdia da cidade, primeiro a promover a formação sistemática de cirurgiões plásticos albergava a sede da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica que havia sido fundada, por iniciativa do próprio Rebello Netto, na capital, em 1948. Em São Paulo, também havia sido fundada a Sociedade Latino Americana de Cirurgia Plástica, em 1941, organizada por Antonio Prudente e que hoje é denominada Federação Ibero Latino Americana de Cirurgia Plástica. Seu primeiro Congresso também ocorreu na capital e a sede da Sociedade era o consultório de Antonio Prudente sito à rua Barão de Itapetininga.

A Paulicéia foi berço ainda da primeira Disciplina de Cirurgia Plástica criada em uma faculdade, na Escola Paulista de Medicina em 1933, tornando-se Antonio Prudente o primeiro catedrático da especialidade no país.

Como a sede da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estava localizada em São Paulo e tantos acontecimentos a ela relacionados também, não se havia até então, sentido necessidade de criar uma regional.

Outros estados, naturalmente, com o crescimento do número de especialistas, já haviam criado suas regionais, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul.

Floresceu a vontade da criação da Regional de São Paulo com a finalidade de congregar os membros da SBCP residentes na capital e no Estado para que pudessem se encontrar em reuniões de maneira mais informal possibilitando o intercâmbio de conhecimentos mais freqüentemente que nos congressos, realizados anualmente.

Assim, na gestão de Roberto Millan como Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os membros do Conselho Deliberativo da SBCP reuniram-se para analisar a possibilidade de fundação da Regional de São Paulo.

Em dois de fevereiro de 1966 o Conselho Deliberativo da SBCP reuniu-se no Seminário do Hospital AC Camargo, sito à rua Antonio Prudente nº 211, na presença do presidente Roberto Millan e do primeiro secretário Edwald Merlin Keppke. Foi dada a palavra a este, por sugestão de Alípio Pernet, para dissertar sobre a necessidade da criação da Regional.

Esta reunião abriu o livro de atas da Regional de São Paulo nessa data.

A proposta ficou em suspenso até ser ouvida a diretoria da SBCP. Em dezenove de fevereiro de 1966, em nova reunião, o assunto foi mais uma vez debatido, agora com aprovação unânime da diretoria e do conselho deliberativo, criando-se oficialmente nessa data a Regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Era preciso haver inicialmente um regente da regional em fase de organização. Foram propostos vários nomes, mas, a escolha recaiu na pessoa de Ricardo Baroudi por unanimidade dos presentes.

A Regional em organização tendo como regente Ricardo Baroudi, convocou eleições em três de junho de 1966. A chapa única apresentada foi eleita em primeiro de julho de 1966 tendo como Presidente Georges Arié, como Secretário Ricardo Baroudi e como Tesoureiro Aloísio Marcondes, para a gestão 1966/1967.

A partir de então, a Regional de São Paulo da SBCP passou a fazer reuniões ordinárias mensais com a finalidade de promover apresentações científicas de seus membros ou convidados além, naturalmente, de discutir eventuais situações a ela relativas.

A primeira reunião ordinária aconteceu no Seminário do Hospital A.C.Camargo localizado à rua Antonio Prudente 211. Foi apresentado o programa de estudos para as reuniões ordinárias que seria constituído de duas partes: uma sob forma de simpósios de temas de atualização na especialidade e outra constituída de comunicações científicas.

O primeiro trabalho apresentado nessa reunião, e conseqüentemente em um evento da Regional, teve como autores Aymar Edison Sperli e Matarake Sawada, sendo uma comunicação sobre o “Uso de Tripsina em Cirurgia Plástica”. O trabalho foi comentado por Paulo de Castro Correia, Victor Spina e Edwald Merlin Keppke, portanto os primeiros moderadores em eventos científicos da Regional de São Paulo. No mesmo dia, a segunda apresentação foi uma comunicação de autoria de Arlindo de Aguiar, Dirce Teixeira, Luiz Kamakura e Victor Spina sobre o “Tratamento Cirúrgico do Lagoftalmo (seqüela de paralisia facial) pela Técnica de Guillies-Andersen. Houve ainda uma terceira apresentação de autoria de Nelson Pigossi e Frederico Ildefonso M. do Amaral abordando o tema: “Impressões sobre serviços de cirurgia plástica nos EUA e Inglaterra”.

Todas as reuniões da Regional, até a décima terceira realizada em vinte e nove de março de 1968, aconteceram no Seminário do Hospital A.C.Camargo, inclusive três reuniões extraordinárias com participação de convidados estrangeiros – José Viñas (Argentina) e Miguel Orticochea (Colômbia) em 04/11/1966, Beugt Johanson (Suécia) em 27/11/1967 e Thomas Cronin (EUA) em 02/02/1968.

A partir da décima quarta reunião, em vinte e cinco de abril de 1968, a Associação Paulista de Medicina passou a ser a sede dos acontecimentos científicos da Regional, assim permanecendo até a décima sétima reunião ordinária mensal.

Em onze de dezembro de 1968 realizou-se a décima oitava reunião em novo local, o Salão de Conferências da Fundação Carlo Erba situado à Rua Vieira de Moraes 443, que passou a sediar as reuniões ordinárias por um longo tempo.

A Regional de São Paulo demonstrou sua preocupação com a ética profissional, naqueles tempos, realizando em 20/12/1968 um manifesto denominado “Cirurgia Plástica e Ética Profissional” condenando a propaganda imoderada e antiética nos meios de comunicação.

A partir de quinze de junho de 1972, as reuniões ordinárias passaram a ser feitas em conjunto com a Seção de Cirurgia Plástica do Colégio Brasileiro e Cirurgiões.

A partir de 1974, os registros em ata não mais existem, mas, as reuniões mensais continuaram sempre a ocorrer, freqüentadas pelos membros da Regional e por colegas que estavam em formação ou que pretendiam dedicar-se à cirurgia plástica.

Em nossos dias as reuniões científicas mensais continuam sendo oferecidas aos membros da SBCP, na forma de Mesas Redondas onde são abordados temas da especialidade para atualização, com a participação de colegas convidados, mantendo a tradição do programa de estudos para as reuniões ordinárias apresentado na primeira reunião ocorrida há 40 anos, afinal, foi esse o objetivo primordial que motivou o nascimento da Regional.

As reuniões científicas ocorrem sistematicamente uma vez por mês no Salão Nobre da Associação Paulista de Medicina (APM) em conjunto com o Departamento de Cirurgia Plástica da APM cujo diretor é o próprio Presidente eleito da Regional de São Paulo da SBCP, segundo convênio firmado entre as duas entidades há alguns anos.