Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional São Paulo

Interrompendo as suturas: o princípio da reconstrução preventiva da queimadura

Há décadas, usa-se o enxerto de pele para a reconstrução de queimaduras. Desde 1869, quando introduzido na literatura do segmento por Reverdin, e posteriormente os enxertos em malha por Ollier e Thiersch, muitos progressos têm ocorrido na coleta, manipulação, expansão e colocação de enxertos de pele em feridas. Apesar de agora ser possível cobrir eficientemente grandes feridas de queimaduras rapidamente e salvar vidas, contraturas e cicatrizes em geral permanecem um problema.

A cicatriz provoca diversos sintomas, que diminuem a qualidade de vida, incluindo coceira, dor, diminuição da amplitude de movimento e preocupações estéticas. Após uma reconstrução da queimadura com enxertos de pele, todos os pacientes ficam com alguma cicatriz, portanto, a reconstrução deve ser realizada de forma a limitar ou a diminuir quaisquer problemas futuros. Isso pode ser obtido pelo reconhecimento das áreas anatômicas mais propensas a cicatrizes e problemas subsequentes, passo essencial no planejamento da melhor abordagem cirúrgica.

Surpreendentemente, a literatura é muito escassa sobre o assunto, embora equipes de tratamento de queimaduras enfrentem esse problema diariamente. A maioria da literatura publicada sobre prevenção de contratura em enxertos carece de informações sobre colocação da sutura, da linha de junção ou da técnica cirúrgica, com foco em questões preparatórias e pós-operatórias, como excisão precoce, imobilização, mobilização precoce e manuseio da cicatriz no pós-operatório. Há muita literatura sobre como corrigir cirurgicamente as contraturas das cicatrizes, mas pouca sobre prevenção ou redução de risco no ato cirúrgico.

Uma das áreas mais comuns de contraturas de queimaduras é nas superfícies flexoras das articulações e nas suturas entre as lâminas dos enxertos de pele e entre as lâminas dos enxertos e a pele normal não lesionada ao redor. Anatomicamente, o pescoço, a axila, os joelhos e as mãos são os locais mais comuns para a contração.

Por exemplo, a formação de cicatrizes é um problema bem reconhecido na axila, com desenvolvimento muito frequente de uma contratura no pilar axilar anterior, dado que a posição natural de conforto ao paciente é o braço em adução. A aplicação de enxerto de pele na axila muitas vezes requer imobilização em uma posição abduzida, mas muitas vezes não impede a formação de bridas axilares no pós-operatório.

As linhas retas longas são mais fáceis de contrair do que as curvas ou em ziguezague. Greenhalgh e Palmieri (2003) apresentaram sua sutura em ziguezague entre enxertos de pele para evitar cicatrizes, mas pouco foi escrito desde então.

Leia mais sobre o assunto no periódico Burns Open:
https://reader.elsevier.com/reader/sd/pii/S2468912219300215?token=BD679C2A220FE0E2D0AD4BCBE8522E7E26185AB327B7C46CBD0B285EB9B4076F35611F294C10FABE61EF8367CC87239C