Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional São Paulo

Estudo avalia o risco-benefício da mastectomia profilática contralateral

A tendência crescente de mulheres com câncer de mama unilateral de serem submetidas à mastectomia profilática contralateral eletivamente tem sido controversa. Em artigo publicado no periódico Plastic and Reconstructive Surgery, de junho de 2019, cirurgiões plásticos norte-americanos se propuseram a melhor enquadrar os riscos e benefícios da mastectomia profilática contralateral no tratamento do câncer de mama unilateral, avaliando os resultados de uma coorte grande e consecutiva de pacientes.

Foi realizada uma revisão da experiência de um único cirurgião (N.T.), a partir de todas as pacientes consecutivas com câncer de mama unilateral tratadas com mastectomia e reconstrução imediata, no período de 2013 a 2018. O trabalho considerou os seguintes critérios: características das pacientes, resultados de patologias cirúrgicas e complicações em 30 dias, sendo comparados os resultados das pacientes com câncer unilateral submetidas à mastectomia unilateral versus mastectomia bilateral (com uma mama sendo mastectomia profilática contralateral).

Modelos de regressão logística avaliaram vários fatores de risco para possíveis associações, com achados patológicos positivos na amostra de mastectomia profilática contralateral e/ou complicações pós-operatórias.

Das 244 pacientes, 68 (27,9%) foram submetidas à mastectomia unilateral e 176 (72,1%) foram submetidas à mastectomia profilática contralateral. Os resultados da mama profilática revelaram carcinoma ductal oculto ou câncer invasivo em 13 pacientes (7,3%) e carcinoma lobular in situ em oito pacientes (4,6%).

A incidência de complicações foi semelhante entre os grupos, sendo mastectomia unilateral, 19,12% (n=13), e mastectomia profilática contralateral, 13,07% (n=23); p=0,234.

Como conclusões, os autores afirmam que a reconstrução imediata para mastectomia unilateral e mastectomia profilática contralateral apresentam perfis de risco de complicações semelhantes entre pacientes de modo geral e entre as mamas individuais. Esses achados contribuem para a compreensão do impacto clínico que a mastectomia e a reconstrução profiláticas podem ter na otimização do aconselhamento entre mastologistas, cirurgiões plásticos e pacientes.

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https://journals.lww.com/plasreconsurg/Fulltext/2019/07000/Risk_to_Benefit_Relationship_of_Contralateral.1.aspx